quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Sobre meu PAI

Tanto tempo sem nada a dizer, mas o dia dos Pais vem chegando e mais e mais eu lembro do meu; uma pessoa prá se copiar! Engraçado é que houve um tempo em que eu o considerei uma pessoa sem ousadia, talvez controlado demais e assim, conclui eu, pouco criativo; e eu achava isso um grande defeito. Pois este homem, perdeu o pai , o dinheiro e a segurança aos 11anos. Os irmãos foram separados pelas casas das tias, prá que pudessem ser mantidos e educados; conviviam, mas não moravam juntos. Teve que trabalhar cedo, fora da sua pequeníssima cidade, tendo acesso ao cigarro que assumiu rapidamente porque achava que era coisa de adultos; teve acesso à bebidas e apesar de gostar bem delas, jamais foi seu escravo. Cuidou de sua mãe e irmãos e formou nossa família. Comprou nossa casa, nos educou em colégios particulares, nos deu conforto e educação financeira, nos dando uma "semanada" à partir dos 8 anos, prá que aprendêssemos a administrar nossos desejos e possibilidades. Comprou mais propriedades, nos deu viagens ao exterior, viajou o mundo com minha mãe; quando teve que deixar o cigarro, deixou, depois de 60 anos fumando, e ninguém o viu alterado por isso; quando teve que se aposentar, depois de 51 anos no BB, rapidamente passou a caminhar no Ibirapuera todos os dias, almoçava fora prá não "sobrecarregar" minha mãe, que também já não era "criança" e a ir prá Santos com mais frequência. Ficou doente uma única vez na vida; hospitalizado, contribuiu com o tratamento, fez os exercícios recomendados e se curou. Aos 73anos depois de mais um fim de semana em Santos, voltaram para almoçar em SP, comeu uns mariscos com caipirinha, comeu uma bela "Pasta" com um bom vinho e depois de um cochilo, foi regar as plantas, que ele adorava cuidar e morreu; sem um ruido, sem incomodar ninguém, até na hora de ir embora.
Esse foi meu pai. Aquele cara que um dia eu achei "pouco criativo". Esse "cara" transformou uma vida sem perspectivas, numa cidade do interior de Minas, numa carreira de sucesso, numa família unida, num exemplo prá muita gente.
Não houve "arroubos", grandes investimentos, auges e quedas econômicas, brigas, reconciliações; não houve espetáculo; mas será que todos queremos espetáculo? Eu queria era ele outra vez, prá poder lhe dizer tantas coisa, dar-lhe tantos abraços, saber que poderia contar com ele pro que acontecesse. Tantas vezes sua presença me trouxe a paz de me saber querida apesar de mim. E também prá lhe explicar que, se algum dia ele sentiu aquele meu pensamento de "pouca criatividade", eu hoje tenho certeza de que ele foi DEMAIS!!!! Que transformou nossas vidas em um "canteiro" de possibilidades e que se eu pudesse passar pros meus filhos o que ele nos passou, talvez somente a metade, eu já seria a pessoa mais feliz do mundo!!
Que bom que você foi/é meu pai!! Onde estiver, eu amo você! Obrigada bj.